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01
Dec
09

Sobre cozinha

Descobri que meu estômago tem mais a ver com meu cérebro do que com suas funções propriamente ditas. Minha capacidade de digestão, manutenção da comida no corpo, azias, estomatites e cólicas estomacais estão intimamente ligadas ao meu cotidiano, minhas relações interpessoais e à minha atividade cerebral. Quanto maior o caos, maior a dor, mais o estômago pula, queima, se rebela e piqueteia junto com alguns de meus outros órgãos internos.

Lembro-me de uma discussão que não vinha tendo um bom caminho, e antes dela ter fim eu precisei sair correndo e “pôr os cachorros pra fora”. Pois bem, o momento passou, a pessoa passou, mas o estômago segue firme (?) e forte (?) com seus pulos, borboletas, reviravoltas e incêndios.

Tendo isso em vista, e obviamente não poderia me expôr, o código-tema e fonte da postagem que você lê neste momento é a cozinha, os alimentos, a comida. Como eu não poderia deixar de fazer uso das metáforas ou de nada do tipo, vai tudo encrypted assim mesmo. Até o meu raciocínio fica melhor.

Bom seria se o bolo da minha vida não desandasse...

Bom seria se o bolo da minha vida não desandasse nunca...

Bom, comecemos:

Eu tinha um bolo. Ele estava no forno há um bom tempo, muito bem preparado, cozinhando com maestria, ingredientes certos e a pitadinha de sal que sempre falta em algumas receitas. Receita exclusiva, doce, gostosa. Então, sem muito aviso, o bolo começou a dar sinais de que iria desandar. Nada muito claro, mas por premeditação tiramos o bolo do forno. E começou a desandar mesmo fora, tanto o bolo como o próprio cozinheiro.

Já ciente de que o bolo queimaria se voltasse para o forno em temperatura alta, principalmente depois de colocar outro docinho no meio do caminho, mesmo assim resolveu tentar recuperar rapidinho sua obra prima do mundo gastronômico, mas esta começou a queimar e desandar de vez, especialmente depois do tira-põe-tira-põe no forno.  Então, nada mais a fazer se não tirar o bolo mais uma vez.

Então, o que fazer? Apostar em doces pequenos e fáceis de fazer, mas que ficam prontos rápido e apesar de saborosos não dão nenhuma satisfação adicional para o cuidadoso chef que os prepara? Fazer um bolo com os ingredientes destes doces após degustá-los? Juntando os ingredientes, a impressão inicial que se tem é que pode ser saboroso, e é realmente gostoso quando degustado, o que leva à talvez continuar com a receita, mas que pode demorar a dar liga. Tal por displicência e falta de vontade do cozinheiro, que não consegue elaborar bem nenhuma outra receita após ou esquecer do bolo magistral cair pelas tabelas, tal por azar, tal por uma percepção do chef, que visualizou, não sem a ajuda de um óculos especial, um cozinheiro amigo com problemas com uma receita muito parecida que desandou antes mesmo de entrar no forno.

Por interferência oculta deste companheiro de cozinha, que certamente ainda não sabe da história, o chef pensa duas vezes antes de botar a mão na massa. Pois bem, é melhor deixar uma receita de lado a perder um grandioso colega de profissão. Mas tudo depende. Agora, por favor, perdoem a licença poética, mas terei que ser tão decidido quanto o Cléber Machado: Pode continuar a receita? Pode. Pode dar liga? Pode. Pode não dar? Pode. Pode tentar abandonar a nova receita e tentar dar nova forma ao desandado, queimado e deixado bolo antigo, para que este retorne triunfalmente? Pode ser. Pode não fazer nenhuma das anteriores? Pode. Não sei, a panela pode achar uma coisa, o fogão outra. Realmente não sei. E como não vou conseguir desvelar isso tão cedo, farei como o Ultraje a Rigor: “eu não tô sabendo nada mas também não quero nem saber“.

Uma coisa é certa: O cozinheiro talentoso e inconstante havia perdido a mão.




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