Posts Tagged ‘bêbado

11
Mar
10

Revolução russa

O homenageado

Yeltsin: 1931-2007

Sexta-feira, 29 de abril de 2007. Fim da primeira semana de provas na Faculdade Cásper Líbero, em que certo então primeiroanista de Jornalismo tinha passado com um satisfatório grau de sucesso. Basicamente, uma sexta-feira de comemoração por feitos próprios e falso luto pela morte do ex-presidente russo Boris Yeltsin, falecido naquela mesma semana.

Como de costume, veteranos e calouros da Faculdade Cásper Líbero se locomoveram até as proximidades da Av. Brigadeiro Luís Antônio, e pararam à frente de uma livraria e uma loja de roupas, já fechados devido ao tardio horário. Ao lado destes, porém, um estabelecimento funcionava a pleno vapor: o bar “Domínio”, destino cotidiano e quase que religioso daqueles alunos.

Depois de pagarem e consumirem um engradado de cerveja, os universitários, embora em grande número, já começavam a se encontrar em um avançado grau etílico. Foi então que surgiram as duas garrafas de “homenagem” da semana. A primeira, trazida por um então terceiroanista de Presidente Prudente, tinha o rótulo de “Baianinha”, um cheiro extremamente doce e um teor alcoólico muito acima do esperado. Como bom calouro, tal primeiroanista foi obrigado a experimentar em larga escala daquela bebida, diretamente do gargalo, sem intervalos para respirar.

Pouco mais tarde, outro veterano chegaria com o item que homenagearia Boris Yeltsin, primeiro presidente da história da Rússia. Uma garrafa de plástico, com um nome impronunciável e, teoricamente, vodka em seu conteúdo. Claro, em luto ao russo, brindaram e beberam aquele líquido incolor que tinha gosto semelhante ao imaginado sabor de álcool de limpeza.

Bolachinhas, senhor?

Bolachinhas, senhor?

Já absolutamente embriagado, ultrapassando a noção do aceitável e vulgarmente tropeçando em sua própria sombra, o calouro, que também havia perdido a carona para casa e a noção do tempo, tinha uma nova missão: chegar a um lugar seguro o suficiente para repousar, ou mesmo em sua própria casa. No quase vazio ponto de ônibus em frente ao bar, o calouro – com a visão embaçada pelo álcool consumido freneticamente e pelo cansaço – se deparou com uma alma caridosa. Ela vestia um tailleur de cor escura, com uma camisa clara, um lenço colorido no pescoço e um chapéu, caracterizando-se assim como uma aeromoça. Ao perguntar se havia algum ônibus para a Avenida Francisco Morato e se deparar com uma resposta positiva, tal calouro quase pulou de alegria, desistindo justamente por conta de seu equilíbrio falho.

A mesma alma caridosa, em um ato de extrema bondade, sentou ao lado do calouro no ônibus e lhe forneceu bolachas de água e sal, tentando assim fazer com que este retome a sobriedade. Embora satisfeito com este ato de solidariedade, tal estudante retribui o gesto da pior forma possível: Vomita em cima da aeromoça.

Sim, no colo da pessoa que tentava o ajudar. Enojado com o próprio ato, e um pouco melhor e mais consciente de seus atos por ter passado mal e expurgado um pouco do álcool em seu organismo, “Alemão”, como tal primeiroanista era conhecido, levanta-se, passa pela catraca e fica esperando “em pé” – amparado pelas mãos que firmemente agarravam uma estrutura de apoio do veículo, até o ponto em que descia.

A missão seguia com um alto grau de dificuldade. Locomover-se mais quatro quarteirões, acertar a chave na porta, tomar um banho e finalmente dormir. Enquanto andava, Alemão percebeu como sua tarefa era complicada: em seus primeiros vinte passos, tropeçou uma vez e pisou na extensão de seu fone de ouvido – nunca mais visto. Dois tropeços, uma pausa para respirar e quatro quarteirões depois, finalmente o calouro havia chegado à seu quartel general. Limpo e reconfortado, o estudante, ainda embriagado, caiu no sono em sua tão buscada cama.

Retrato fiel de sábado

Retrato fiel de sábado

Após um sono irregular, o calouro acordou com os barulhos em seu quarto anunciando o horário, quatro horas da tarde. Sem se recordar imediatamente de todo o seu dia anterior, levantou-se com uma certeza: Boris Yeltsin não ficou nem um pouco contente com a homenagem. Talvez pela mistura de bebidas, talvez pela baixíssima qualidade da vodka, o fato era que Yelstin comandava uma nova e violenta revolução. Dentro dos órgãos do jovem. A sensação que o estudante tinha era a de que seu estômago havia se rebelado contra o próprio organismo, piqueteava e queimava em fúria.

O fígado, a cabeça e os olhos pareciam ter sido perdidos na batalha, e a sedenta garganta era flagelada com bombas incendiárias. Embora contra-atacasse com antiácidos, “anti-ressaca” e cuidados maternos, ele seguiu a sofrer por dois dias consecutivos e finalmente assinar uma trégua com seu organismo, Alemão chegava a dois consensos: nunca mais iria beber, promessa esta facilmente derrubada, e nunca mais celebraria o falecimento de qualquer pessoa. Especialmente os russos.

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Postagem inicialmente pensada para publicação no final de Abril, quando o fato verídico completa três anos. No entanto, uma redação valendo nota com o tema de “experiência significativa negativa” que aconteceu contigo. O post original, contado em primeira pessoa, misturado com um monte de outras coisas, está aqui e aqui, no antigo Einz, Zwei, Drei, BIER.

25
Jan
10

Tomar uma?

“Tomar uma?”

Gelada?

Gelada?

Assim mesmo, um convite incompleto, mas de fácil compreensão.

E têm sido uma das frases mais usadas em meu vocabulário. Cada hora com amigos de um lugar diferente, veteranos, companheiros de sala, colegas de trabalho, antigos amigos do colégio, amigos de amigos, amigas de amigos, com os amigos, sem os amigos.

Não, eu não virei nenhum bebum ou mega-boêmio, não estou saindo loucamente e fazendo mil travessuras. Mas como, nas férias, todos os dias basicamente são muito parecidos, uma vez que meu trabalho de fim de semana desregula o relógio “biológico” dos rolês – e não tem facul (Dom’s ou Mineiro) para ocupar o horário da noite, decidi me jogar na rua e tomar uma. Fazendo umas coisas diferentes, com pessoas diferentes, e até xavecos diferentes (quando você sai com MITOS do xaveco, chegar em mulher é bem mais fácil, mas isso é outra conversa).

Mas mesmo quando você não sai para um lugar movimentado, vai só para qualquer boteco trocar uma ideia (sem acento, ê nova ortografia) com um amigo ou amiga, a diversão é garantida. Só tem um problema: o “tomar uma” nunca é só uma. Mesmo quando estão em poucas pessoas (eu e mais uma, no caso) – o gasto de pelo menos quatro vezes para cada um os geralmente R$4,50 de uma garrafa inicialmente pensados em gastar.

Mas também, vale muito o esforço, pois em uma semana eu falei de insetos à situação econômica à drogas pesadas, passando por futebol, Cásper, Carnaval, amigos, pais, família, viagens, bizarrices, cicatrizes, machucados, música, porres, irmãos, mulheres, vida de solteiro, vida de namorado, bebadices, ossos quebrados, brigas, gente estranha, curiosidades, reclamações, risadas, estatísticas estúpidas, remorso, relacionamentos bons, mais futebol, relacionamentos ruins, possível alvos, inimigos recentes, rolês, baladas, novos amigos, comentar a vida alheia, falar bem dos outros, falar mal dos outros, Big Brother, filmes, cervejas, sexo, manias e outros milhões de assuntos que eu nem lembro.

Então, como essa postagem não tem necessariamente uma conclusão, porque eu não consegui pensar em um jeito legal de fechá-la, vou apontar um aspecto negativo dessa farra toda: além do financeiro (“90% do meu dinheiro eu gasto em cerveja e mulher, o resto eu desperdiço”), o físico também sentiu. Em janeiro, prometi virar saudável e estou indo praticamente todos os dias de bicicleta para a academia. Chegando lá, eu pedalo na ergométrica (só pra conseguir pedalar e ler o jornal ao mesmo tempo), corro naquele transport de mulher velha (esteira dói), puxo ferro, suo, faço mil exercícios, dos quais 300 forçam meu ombro “inexistente” e quebrado, faço alongamento, saio de bike de novo e tal, e estou com três sessões de futebol semanais. Mas aí chego em casa, tomo banho e saio pra tomar uma, ou mesmo depois do fut, e aí todo o exercício físico vai embora. Bom, pelo menos eu compenso.

Futebol e breja. Compensa? Compensa!

Futebol e breja. Compensa? Compensa!

Enfim, portanto, encerro esta postagem (uma vez que pra você ler isso aqui é no mínimo meu amigo)com um convite:

“Tomar uma?

PS:: Eu sei que prometi uma postagem sobre minha “nova musa” e sobre a teoria das musas, mas fica pra próxima postagem. Ela ainda tá na cabeça, mas essa aqui era mais “temporal”, uma vez que a ideia da musa segue.

04
Jan
10

Ano novo….

… vida nova?

É o que todo mundo diz e prega no revéillon, mas é o que quase nunca acontece na real mesmo.

Durante um montão de anos, eu sempre fiz mil e uma promessas e coisas a fazer, e listas, e agradecia um pouquinho, senão é gana demais. Superstições, uma pá de coisa.

2009 foi um ano bem da hora. Lógico, com um milhão de coisas ruins, entreveros, brigas, términos, gastrites, stress e o cacete, mas as grandes conquistas, o futebolzinho, as piadas ruins, um “só love” pra lá ou pra cá e uns amigos superaram tudo, com vantagem digna de… sei lá, Usain Bolt?

E então que eu, mais preocupado em me divertir com uns amigos na praia, decidi ignorar a tão amada e odiada “retrospectiva 2009″ e “lista de desejos 2010″ para seguir curtindo e me divertindo que nem um animal. A única coisa mais supersticiosa que ainda mantenho é pisar no mar sempre com o pé direito, sei lá porquê. Mas depois do relógio bater 00:00 do dia agora 1 de janeiro, fiz ali aquela prezazinha base (Mesmo bêbado) e só parei proque pisei numa rosa que um filho da puta supersticioso jogou no mar.

Nessa prezinha, fui lembrando de algumas coisinhas e fiz até umas promessas furadas. Furadas o suficiente que hoje é dia 4 de janeiro e eu já quebrei uma delas. O que de fato não foi ruim, pois agora em vez de evitar por conta de uma promessa, eu vou ter que me adaptar à promessa já quebrada.

Agora, falando de 2010 e tão-somente de 2010, este ano que já começou vai ser do caralho. Quer dizer, não sei se vai ser do caralho ou meio miado. Não vou forçar e virar porra-louca, mas também não vou me acomodar e criar raízes no sofá. Vai ser quase tudo ali, como diz a minha avó, no “bituím”. É só que com certeza vai ser mais um ano aí, na atividade, e eu quero aproveitar.

Tem tarefas homéricas, como o TCC (que vai tirar boa parte da minha vida e paciência), mas compensa sem aula de segunda ou sexta (o que vai aumentar consideravelmente minha presença em bares e peladas). Tem o trabalho na Gazetinha, agora com muito mais poder e liberdade, mas também tem o medo de chegar janeiro e não ter um emprego fixo. Tem a liberdade de morar sozinho e fazer o que quer (GRANDIOSO FEITO DE 2009), mas também tem as contas apertando o pescoço no fim do mês.

É, parceiro.

Rapadura é doce mas num é mole não, rapaz.

Nem mesmo em 2010.




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