25
Jun
10

confiança

Trust me?

Trust me?

O começo da história é obviamente nebuloso, mas depois que os exemplos forem colocados é que chegamos ao verdadeiro raciocínio.

“Out of the blue”, como diria a família, uma amiga surgiu e depois de uns minutos de conversa despretensiosa despejou uma puta história bom segredo nas minhas mãos. O que achei curioso foi que ninguém forçou uma brecha para pegar informação e eu sequer sabia o que havia acontecido, tinha “verdes” ou mesmo motivo para desconfiar de nada, e a intimidade entre ambos até então não havia chegado a tal nível.

Até que perguntei: “Por que você confiou em mim?”

Em conjunto com outra tentativa de resposta que não vem ao caso, tal pessoa falou: “Inexplicável.”


E é aqui que o raciocínio começa.

Por que confiar uma coisa importante a alguém?

Por que contar tudo a uma pessoa, esta podendo ou não fazer algo?

Sei que segredos – especialmente alguns – são muito pesados para serem carregados sozinhos, mas por que confiar em outro? Contar a sua vida, o que você está sentindo, o que você fez, o que outra pessoa fez, o que você acha de algo ou alguém, um segredo seu ou da sua família, de seus amigos, de suas amantes? Sair do trivial, ir para um nível imenso de intimidade, abrir o jogo?

Por que?

E porque confiar em mim? Eu tenho “confiável” escrito na minha testa? Não, acho que não.

Não é a primeira vez que alguém deposita confiança em mim sem eu ter feito grande coisa. Outras quatro ou cinco pessoas também abriram o jogo e me contaram coisas sem nem saber exatamente o motivo, tendo estas coisas alguma relação comigo ou não.

Em retribuição, posso assegurar que é um segredo bem guardado, ou uma ajuda tête-à-tête, ou alguns conselhos (em sua maioria sem grande elaboração), ou mesmo a função de advogado do diabo, defendendo o outro lado. Essa parte é uma das que eu mais gosto de fazer, pois acho que força ainda mais a busca de uma solução.

Enfim, irrelevando a forma de ajuda, sei de uma coisa: daqui não vaza mais nada.

Sei que tudo isso é o que todos falam, “pode me contar que eu não conto pra ninguém”, e que assim surgem diversas fofocas e coisas ruins. Mas é sempre assim: você só aprende quando sente na pele. Uma vez, me contaram um segredo e eu compartilhei com outra pessoa que nada tinha a ver com a história. Dias depois, uma enorme trama de telefone sem fio culminou em consequências drásticas: para a pessoa que me contou, para a pessoa que era alvo do segredo, para mim e para a pessoa que eu contei. Portanto, aprendi.


E voltando à linha de raciocínio: por que confiar em alguém que tem trust issues?

Que dificilmente dá o primeiro passo, a primeira informação, a primeira abertura?

Honestamente, eu não tenho a capacidade de confiar em alguém sem que me dêem plenos e perfeitos motivos (não sei sequer que motivos) para tal ou que confiem primeiro plenamente em mim. Prefiro – muito – ouvir a falar. Rebato cada pergunta, desconverso, fico quieto, não dou brecha, não dou abertura, falo besteira, faço brincadeirinha e se bobear até solto uma informação falsa para ver a reação. Não me pergunte a razão.

In the other way, adoro – fico maravilhado, sério – quando confiam em mim.


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